Polícia aponta que grupo divulgava cassinos online ilegais; contratos chegavam a R$ 250 mil e, em alguns casos, influenciadores ficavam com parte do valor perdido por apostadores.
Investigados pela Operação Desfortuna - a maioria influenciadores digitais - movimentaram R$ 40 milhões nos últimos dois anos com a divulgação de jogos de azar ilegais, diz a Polícia Civil. Entre os investigados está Bia Miranda, que sozinha teria registrado R$ 4 milhões em um ano em movimentações suspeitas.
A operação foi deflagrada pela Polícia Civil na quinta-feira (7/8) em três estados: Rio, Minas Gerais e São Paulo. Os agentes afirmam que as publicações nas redes sociais de investigados — muitas vezes mostrando vida de luxo e ostentação — escondiam um esquema de propaganda enganosa, estelionato e lavagem de dinheiro. A polícia estima que todo o negócio tenha girado R$ 4,5 bilhões.
Segundo as investigações, os influenciadores divulgavam cassinos online que não permitiam auditoria dos resultados, não tinham controle de funcionamento e, em alguns casos, não pagavam os prêmios aos apostadores. Esse tipo de jogo é proibido no Brasil.
“É importante dizer que não são casas de apostas esportivas, as bets. A gente está falando de jogos de azar, cassinos online, que são proibidos. Esses influenciadores prometiam ganhos vultuosos para seus seguidores, mas essas plataformas não geravam esses retornos e, muitas vezes, os apostadores ganhavam e não conseguiam sacar”, explicou o delegado Renan Mello, da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), responsável pela operação.
As investigações também apontam sinais de enriquecimento incompatível com a renda declarada. Em São Paulo, o influenciador Maurício Martins Junior, conhecido como MauMau-ZK, foi preso em flagrante em um condomínio de alto padrão. Os policiais encontraram um revólver em sua casa, que foi encaminhado para perícia. Segundo a PF, ele movimentou R$ 9 milhões em um ano — mesmo valor atribuído a transações atípicas na conta de Nayara Silva Mendes, a Nayala Duarte. A polícia suspeita que a conta dela era usada para lavagem de dinheiro.
As influenciadoras e irmãs gêmeas Paola e Paulina de Ataíde também foram alvos da operação. Elas compareceram à delegacia acompanhadas de uma advogada e não quiseram dar entrevista. Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão.
“São pessoas que mostram padrões luxuosos e que enganam, ludibriam os seus seguidores com uma finalidade pura e simples de ganância. Eles vendem a sua fama, destruindo famílias e contas pessoais para ganhar lucros completamente descabidos”, disse o delegado.










