A Polícia Federal prevê intensificar o ritmo das operações sobre suspeitas de irregularidades em emendas parlamentares até o período eleitoral, que se inicia no segundo semestre. Sob reserva, há entendimento tanto na PF quanto na PGR (Procuradoria-Geral da República) de que existe material suficiente sob escrutínio de investigadores para que as ações, com potencial de desgaste na relação com o Congresso Nacional, aconteçam com frequência nos próximos meses.
A ideia é ampliar as operações até as eleições —e não durante— para evitar que a PF seja usada em temas políticos. Diferentes equipes estão voltadas desde o ano passado a suspeitas relacionadas a parlamentares e que já causaram atritos e alimentaram a crise entre o Legislativo e o Judiciário.
Integrantes da PF afirmam que não estão apressando apurações, mas que o volume e a robustez do material sob análise já permitem o ritmo intensificado. Ao mesmo tempo, entendem que quanto menos a corporação deflagrar grandes ações em momentos políticos mais sensíveis, como nas eleições, melhor.
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) estimam que havia no início do ano passado, só sob supervisão da corte, ao menos 80 investigações relacionadas a irregularidades em emendas parlamentares com suspeitas relacionadas diretamente a deputados federais ou senadores. Assessores da corte avaliam que esse número deve ter aumentado de 2025 até agora.
Uma parte significativa dos casos está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo. Isso porque Dino assumiu, ao ser empossado no STF em 2024, ações relacionadas às chamadas emendas de relator, que foram declaradas inconstitucionais pela corte. Essas ações têm sido usadas para que o ministro cobre transparência e regularidade na aplicação de diferentes modalidades de emendas.
Foi Dino, por exemplo, quem ordenou à PF, em setembro passado, um pente-fino sobre as chamadas emendas Pix apresentadas por 92 políticos que têm ou tiveram mandato no Congresso para decidir se pede a abertura de novos que investiguem eventuais crimes de corrupção e prevaricação.












