Levantamento feito pela equipe da Vale FM aponta que projeções podem ultrapassar limites recomendados pelo Ministério Público
As cidades de Santo Antônio de Jesus e Cruz das Almas foram as primeiras a divulgar oficialmente suas grades do São João 2026, e os dados iniciais já levantam questionamentos sobre o cumprimento da recomendação do Ministério Público quanto aos gastos com atrações.
A orientação estabelece que, neste ano, os municípios não devem ultrapassar os valores investidos em 2025, com acréscimo máximo de 4,5%, correspondente à inflação. Com base nisso, a equipe da Vale FM realizou um levantamento próprio, comparando os investimentos do ano passado com uma projeção estimada para 2026.
Santo Antônio de Jesus, onde cerca de R$ 6,35 milhões foram destinados às atrações em 2025, tem limite projetado de aproximadamente R$ 6,63 milhões para 2026. No entanto, a análise da grade indica que o custo total pode variar entre R$ 6,8 milhões e R$ 8,9 milhões, o que aponta possível ultrapassagem do teto recomendado, mesmo em cenários mais conservadores.
Cruz das Almas, que liderou os gastos no ano anterior com cerca de R$ 9,5 milhões, tem limite estimado de aproximadamente R$ 9,92 milhões. A projeção da equipe aponta que os valores podem oscilar entre R$ 9,2 milhões e R$ 11,8 milhões, colocando o município em uma zona de atenção, com possibilidade de permanecer dentro do limite ou ultrapassá-lo, a depender dos contratos finais.
Para chegar a esses números, foram considerados fatores como quantidade de dias de festa, número de atrações por noite e a média de cachês praticados nacionalmente para artistas de diferentes portes, desde nomes de grande alcance até atrações regionais. Embora os valores oficiais ainda não tenham sido divulgados, o formato das grades permite uma estimativa técnica baseada no padrão já adotado em anos anteriores.
Outro ponto que chama atenção é o fato de Santo Antônio de Jesus e Cruz das Almas tradicionalmente influenciarem outros municípios da Bahia. Por divulgarem suas programações primeiro, acabam funcionando como referência para cidades que ainda estão definindo suas festas.
Com isso, o que se observa neste início de planejamento é um indicativo de tendência. Caso outras prefeituras sigam o mesmo modelo, o São João 2026 pode manter um nível elevado de investimento, mesmo diante da recomendação de contenção.
A confirmação, no entanto, depende da publicação oficial dos contratos nos portais de transparência, etapa que deve esclarecer se os valores estão ou não dentro dos limites estabelecidos. É nesse momento que será possível verificar quanto cada município efetivamente pagou pelas atrações e se houve ou não cumprimento da recomendação do Ministério Público.
Diante disso, o que se observa neste início de organização é um São João que ainda está sendo definido entre a recomendação de controle e a prática das grandes contratações. Resta acompanhar os próximos dados para entender se o “São João sem milhão” será seguido ou não na prática.
Redação: Vale FM / R. Simas












